• Rodrigo Paiva

Fundos Multimercados: como diversificar seus investimentos?

Atualizado: Jun 27



Hoje na [2a. INVEST] vamos falar sobre uma alternativa de investimento que permite, de forma saudável, a diversificação dos seus investimentos com possibilidade de ganhos em rentabilidade: os Fundos Multimercados!


Os fundos de investimento no Brasil são regulados pela instrução CVM 555. Na resolução, os fundos são classificados em relação a composição de sua carteira em:

  1. Fundo de Renda Fixa;

  2. Fundo de Ações (fundos com, no mínimo, 67% da carteira em ações);

  3. Fundo Multimercado e

  4. Fundo Cambial (mínimo de 80% da carteira em ativos ligados a moedas).


O que são fundos multimercados?


Os fundos classificados como "Multimercado" são aqueles que envolvem vários fatores de risco, sem o compromisso de concentração em algum fator em especial, ou seja são fundos onde o gestor tem liberdade na alocação dos recursos em diversos ativos.


Portanto os Fundos Multimercados são boas soluções para quem busca diversificar investimentos de forma prática, pois reúnem em um só produto vários tipos de ativos.


Por que investir em Fundos Multimercados?


Os fundos são investimentos práticos e simples que são gerenciados por um time de especialistas do mercado financeiro e podem ter na carteira os mais variados ativos, como renda variável, renda fixa e até mesmo outros fundos.


Ao investir em um fundo, você vira dono de uma cota. De acordo com o desempenho, também receberá uma rentabilidade proporcional à sua cota, tudo com muita segurança e facilidade para aplicação e resgate.


Fundos são ótimas alternativas de diversificação porque em um só ativo você pode investir em diversos tipos de investimentos. Isso define o nível de risco do fundo (baixo, médio ou alto) e também o perfil indicado (conservador, moderado ou agressivo).


Outra facilidade dos fundos é que você deixa a gestão do investimento na mão de quem entende. Os gestores são profissionais qualificados e prontos para buscar a melhor rentabilidade possível para o seu dinheiro. E para que eles façam essa gestão, é cobrada uma taxa de administração e performance que varia de acordo com o tipo de fundo.


A importância do gestor nos Fundos Multimercados!


Neste tipo de investimento, o gestor é o principal ponto a ser analisado, já que é ele quem define qual estratégia vai ser utilizada, e o fundo tem liberdade para fazer investimentos em praticamente todas as classes de ativos disponíveis. Esse é também um dos motivos dos fundos multimercado serem os queridinhos dos investidores de alto nível: o gestor consegue fazer uma alocação de acordo com o cenário econômico do momento. Então, um gestor habilidoso consegue ganhar dinheiro inclusive em períodos de baixa no mercado.


A composição do portfólio depende exclusivamente do gestor, sem que haja interferência dos cotistas.


Na escala de fundos, os de renda fixa são as opções mais conservadoras e os de ações, os mais arrojados. Os multimercados seriam um meio termo.


Mas, como os multimercados têm muito mais opções de estratégias, eles também têm uma variedade muito maior de risco e retorno. Alguns podem ser bastante conservadores, quase quanto os fundos de renda fixa, e outros podem ser bastante agressivos – e ter um desempenho bem próximo dos fundos de ações.


Quais as vantagens dos Fundos Multimercados?


Diversificação


Podem utilizar qualquer oportunidade que seja analisada como interessante pelo gestor, desde que esteja prevista nas regras de aplicação do fundo.


Flexibilidade


O gestor direciona sua atuação de acordo com as peculiaridades de cada ativo e do momento econômico vigente.


Alavancagem


A maioria dos Fundos Multimercados permite alavancagem (operação com recursos superiores ao valor do capital aplicado), com o objetivo de maximizar o potencial de rentabilidade de sua carteira ou na grande maioria dos casos como uma forma de proteger os recursos de uma mudança adversa na estratégia montada pelo gestor.


Gestão feita por um Especialista


A flexibilidade desses fundos permite que o gestor da carteira (especializado nesse tipo de investimento) ajuste suas estratégias rapidamente, de acordo com as mudanças de cenários (inclusive alguns podem investir no exterior).


Qual é a Tributação dos Fundos Multimercados?


Imposto de Renda (IR)


A tributação nos fundos multimercados varia de acordo com o tipo de fundo de investimento, sendo ele de longo prazo ou de curto prazo.


Os fundos que forem classificados como longo prazo deverão incluir obrigatoriamente a expressão “longo prazo” no nome do fundo e atender as condições previstas na regulamentação.


Fundos de longo prazo são aqueles que mantém uma carteira média com prazo superior a 365 dias. Para esses fundos, a tributação é igual aos fundos de renda fixa, isto é, decrescente em função do prazo da aplicação:

  • Aplicações de até 180 dias: 22,5% (somente sobre os rendimentos)

  • Aplicações de 181 a 360 dias: 20% (somente sobre os rendimentos)

  • Aplicações de 361 a 720 dias: 17,5% (somente sobre os rendimentos)

  • Aplicações acima de 720 dias: 15% (somente sobre os rendimentos)

Nessa classificação de fundos multimercados, há a incidência do come-cotas, a uma alíquota de 15%, cobrados a cada 6 meses (maio e novembro).


Já os fundos multimercados classificados como “curto prazo” (e assim descrito no nome do fundo), são aqueles que mantém uma carteira com prazo médio igual ou inferior a 365 dias. Neste caso, o imposto será cobrado da seguinte maneira:

  • Aplicações de até 180 dias: 22,5% (somente sobre os rendimentos)

  • Aplicações de 181 a 360 dias: 20% (somente sobre os rendimentos)

Nessa classificação, há a incidência de come-cotas, a uma alíquota de 20%.


O Come-Cotas


O famoso come-cotas é uma antecipação do pagamento do Imposto de Renda, que depois de calculado, é convertido em cotas do fundo, e deduzido da quantidade de cotas que você possui no fundo. Portanto nos meses de maio e novembro você vai observar no seu extrato de fundos uma redução do número de cotas.


Os fundos multimercados que tiverem como política a aplicação de no mínimo 67% em ações, serão tributados como se fosse fundos de ações, isto é, serão tributados a uma alíquota de 15%, independente do prazo de aplicação. Não há incidência de come-cotas nessa classificação de Fundo.


IOF


O Imposto sobre Operações Financeiras incide apenas sobre os resgates realizados em um período inferior a 30 dias da data da aplicação dos recursos. Se você aplicou e não quis esperar um mês para fazer o resgate, o imposto será cobrado.


Quais são os custos para investir em Fundos Multimercados?


É preciso ter muita atenção às taxas cobradas. Afinal, se eles forem muito altas e o fundo obtiver um desempenho abaixo do esperado, seus resultados podem ficar comprometidos.


Taxa de administração


Essa taxa é bastante comum e você, provavelmente, vai vê-la em outros investimentos. Ela é cobrada para pagar as instituições responsáveis pela gestão, distribuição e administração dos fundos.


Taxa de performance


A incidência da taxa de performance é uma particularidade dos fundos de investimento. Ela não é cobrada sempre, mas apenas quando as aplicações superam alguns índices de referência do mercado financeiro.


Taxa de entrada ou saída


Como sugere o nome, a taxa de entrada ou saída é cobrada no momento de aplicar e/ou resgatar suas cotas e reaver seu dinheiro. Ela, normalmente, é cobrada quando existe um prazo estabelecido para o resgate das cotas. Por exemplo: devido a algum imprevisto, você não pode esperar todo esse tempo para pegar seu capital de volta e solicita o resgate antecipado.


Os investimentos em Fundos Multimercados têm a garantia do FGC?


Os fundos de investimentos não contam a com a proteção do Fundo Garantidor de Crédito - FGC. Contudo, eles não são afetados pela quebra de uma instituição financeira, já que o patrimônio deles não se misturam.


Quais são os Tipos de Fundos Multimercados?


A ANBIMA (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais) subdivide os fundos multimercados em 11 diferentes tipos (no nível 3), de acordo com a especialidade, a refletir os fatores de risco ou os mercados em que atuarão.


Na tabela abaixo temos a exibição dos três níveis de classificação de fundos.



Portanto quanto a Alocação, temos:


Balanceados


  • Risco: diversas classes de ativos (não há alavancagem)

  • Voltados para o longo prazo. Nessa estratégia, os fundos buscam investimentos diversificados e deslocamentos táticos entre inúmeros ativos, montando uma estratégia definida de rebalanceamento de curto prazo. Não obstante, esses fundos devem deixar claro o mix de ativos com o qual devem ser comparados, devendo ser determinado o percentual a ser aplicado em cada classe de ativo.

Dinâmicos

  • Risco: diveras classe de ativos (admitem alavancagem)

  • Buscam retorno no longo prazo por meio de investimento em diversas classes de ativos, incluindo cotas de fundos. Estes fundos possuem uma estratégia de asset allocation sem, contudo, estarem comprometidos com um mix pré-determinado de ativos. A política de alocação é flexível, reagindo às condições de mercado e ao horizonte de investimento. É permitida a aquisição de cotas de fundos que possuam exposição financeira superior a 100% do seu respectivo PL.


Os fundos de Estratégia dividem-se em:


Macro

  • Risco: diversas classes de ativos

  • Definem as estratégias de aplicação baseadas na antecipação de movimentos macroeconômicos que determinem os preços futuros dos ativos, seja este de juros, câmbio, moedas, renda fixa. Suas posições são direcionais e de longo prazo.


Trading


  • Risco: diversas classes de ativos

  • Esses fundos exploram oportunidades de ganhos originadas por movimentos de curto prazo nos preços dos ativos.


Long & Short – Neutro


  • Risco: renda variável

  • Assim como no caso anterior, há também posições compradas e vendidas simultaneamente. A diferença aqui é que o objetivo é garantir exposição neutra ao mercado, ou seja, trata-se de uma operação mais cautelosa do que a especialidade anterior.


Long & Short – Direcional