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Eleições 2026: o que os planos de governo podem dizer sobre o seu dinheiro e o futuro dos negócios

  • Foto do escritor: Paiva Piovesan Softwares
    Paiva Piovesan Softwares
  • há 11 minutos
  • 6 min de leitura
Eleições 2026: o que os planos de governo podem dizer sobre o seu dinheiro e o futuro dos negócios

A campanha eleitoral de 2026 começou oficialmente.


Desde 16 de agosto, está permitida a propaganda eleitoral, inclusive na internet. No dia anterior, encerrou-se o prazo para que partidos, federações e coligações solicitassem o registro de seus candidatos. Com isso, propostas, debates e disputas que vinham ocupando o noticiário nos últimos meses entram definitivamente na fase eleitoral.


No dia 4 de outubro, os brasileiros irão às urnas para escolher presidente da República, governadores, senadores e deputados federais, estaduais e distritais. Caso seja necessário segundo turno para presidente ou governador, ele ocorrerá em 25 de outubro.


Para quem acompanha a [2a. INVEST], entretanto, queremos propor um olhar diferente sobre a eleição.


Não vamos discutir em quem votar, nem apontar qual programa é melhor ou pior.

A pergunta que nos interessa é outra:


O que as propostas apresentadas pelos candidatos podem significar para as empresas, os investimentos e a vida financeira dos brasileiros nos próximos anos?

Porque política econômica também chega ao caixa da empresa e ao bolso das famílias.


A economia também está na urna


Pode parecer distante, mas decisões tomadas em Brasília influenciam muitas das variáveis que fazem parte do nosso planejamento financeiro.


Impostos, gastos públicos, dívida, crédito, emprego, investimentos em infraestrutura, regulação, segurança jurídica, políticas sociais, relações de trabalho. Essas decisões, combinadas com a atuação do Congresso, do Banco Central, dos governos estaduais e municipais e com o próprio cenário internacional, ajudam a formar o ambiente econômico no qual empresas e pessoas precisam tomar decisões.


É nesse ambiente que são definidos investimentos, contratações, financiamentos, expansão de empresas e consumo das famílias.


Por isso, uma eleição presidencial não deve ser analisada apenas pelo debate político.

Ela também merece uma leitura econômica e financeira.


Eleições 2026: antes das promessas, procure as propostas


Em período eleitoral, informação não falta. Redes sociais, vídeos, entrevistas, debates, pesquisas, mensagens de WhatsApp e recortes de declarações passam a disputar nossa atenção diariamente.


O desafio passa a ser separar informação de opinião — e proposta de propaganda. Uma boa maneira de começar é consultar a fonte primária.


Os candidatos aos cargos de presidente da República e governador devem apresentar à Justiça Eleitoral as propostas que defendem no momento do pedido de registro da candidatura.


Essas informações podem ser consultadas por meio do DivulgaCandContas, sistema oficial da Justiça Eleitoral, acessível pelo portal das Eleições 2026 do Tribunal Superior Eleitoral. Consulte o portal oficial das Eleições 2026 do TSE.


Isso permite algo importante: conhecer o que cada candidatura formalmente apresentou como proposta de governo, sem depender exclusivamente da interpretação de terceiros.


Naturalmente, um plano de governo não é garantia de execução. Entre uma proposta eleitoral e sua implementação existem Congresso, orçamento público, condições econômicas, limites legais, negociações políticas e acontecimentos que ninguém consegue prever.


Ainda assim, os programas são documentos relevantes para entender prioridades e direções pretendidas.


O que procurar em um plano de governo?


Não é necessário ser economista para fazer algumas perguntas importantes ao ler as propostas dos candidatos.


1. Como o plano trata as contas públicas?


Observe propostas relacionadas a despesas, receitas, déficit, dívida pública e regras fiscais.


A sustentabilidade das contas públicas importa porque influencia expectativas sobre a economia, percepção de risco e condições financeiras.


Prometer novos programas ou investimentos é relativamente simples. A pergunta financeira vem depois:


Quanto custa e de onde virá o dinheiro?

2. O que é proposto para os impostos?


Para empresas, essa é uma questão particularmente importante.


Estamos justamente atravessando uma das maiores transformações do sistema tributário brasileiro das últimas décadas, com a implantação da Reforma Tributária.


Vale observar se as propostas envolvem alterações de alíquotas, benefícios fiscais, tributação da renda, patrimônio, consumo, investimentos ou empresas.


Mudanças tributárias podem afetar diretamente preços, margens, fluxo de caixa e decisões de investimento.

3. O plano favorece um ambiente de investimentos?


Infraestrutura, produtividade, inovação, tecnologia, educação, qualificação profissional e segurança jurídica ajudam a determinar a capacidade de crescimento de um país no longo prazo.


Para quem administra uma empresa, é interessante procurar propostas que respondam a questões concretas:


Será mais fácil ou mais difícil investir, produzir, contratar, obter crédito e crescer?

4. Quais são as propostas para emprego e renda?


Mudanças nas relações de trabalho, políticas de renda, qualificação profissional, salário e incentivos à contratação podem produzir efeitos tanto para trabalhadores quanto para empresas.


Para as famílias, emprego e renda estão diretamente ligados à capacidade de consumo, poupança e investimento.


Para as empresas, influenciam custos e também a demanda por produtos e serviços.


5. Há preocupação com produtividade e crescimento?


Crescimento sustentável dificilmente acontece apenas pelo aumento do consumo ou dos gastos.


Produtividade, infraestrutura, educação, inovação, digitalização, ambiente de negócios e investimento privado também fazem parte da equação.


É interessante observar quanto espaço esses temas recebem nos diferentes projetos apresentados ao eleitor.


6. As propostas preservam previsibilidade e segurança jurídica?


Empresas investem pensando no futuro.

Quanto maior a previsibilidade das regras, maior a capacidade de projetar receitas, custos, investimentos e retorno.


Mudanças são naturais e muitas vezes necessárias. O problema para o planejamento financeiro é a incerteza excessiva sobre quais regras estarão valendo amanhã.


7. E, novamente: quem paga a conta?


Talvez essa seja uma das perguntas mais importantes de toda análise. Uma proposta pode ser socialmente desejável e economicamente relevante. Mas isso não elimina a necessidade de financiamento.


Se um programa prevê aumento de despesas ou redução de receitas, vale procurar a contrapartida:


Haverá redução de outros gastos? Aumento de impostos? Crescimento da arrecadação? Endividamento? Ganhos de eficiência? Parcerias com o setor privado?

É uma pergunta semelhante à que deveríamos fazer dentro de qualquer empresa ou orçamento familiar.


Porque, seja no governo, na empresa ou em casa, recursos são finitos e escolhas têm consequências.



Para planejar e gerenciar suas finanças e negócios, em todos os cenários políticos, conte com o

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Como uma eleição pode chegar ao seu bolso?


Nem sempre essa relação é imediata. Mas podemos visualizar algumas cadeias de efeitos.


Uma mudança na política fiscal pode alterar a percepção sobre a trajetória da dívida pública. Isso pode influenciar expectativas, juros e condições de crédito.


Mudanças tributárias podem afetar custos empresariais, preços, margens e decisões de investimento.


Alterações na confiança de empresários e investidores podem acelerar ou adiar projetos, contratações e expansão.


Mudanças no câmbio podem chegar ao preço de produtos importados, matérias-primas e viagens internacionais.


Inflação e juros, por sua vez, afetam financiamentos, consumo, investimentos e poder de compra.


Isso não significa que um presidente determine sozinho o dólar, a Bolsa, a inflação ou os juros. A economia é muito mais complexa do que isso.


O Banco Central, o Congresso Nacional, governos estaduais, condições internacionais, preços de commodities, conflitos externos, decisões empresariais e inúmeros outros fatores também interferem nesses indicadores.


Por isso, é prudente desconfiar de previsões muito simples sobre o que acontecerá com determinado investimento caso um candidato vença.


Para o investidor: eleição não deve virar aposta


À medida que a disputa eleitoral avança, pesquisas, debates, declarações e acontecimentos políticos podem aumentar a volatilidade dos mercados.


Bolsa sobe, dólar cai, juros futuros mudam... No dia seguinte, o movimento pode se inverter.


É tentador tentar antecipar cada reação. Mas uma carteira construída para objetivos de longo prazo não deveria ser redesenhada a cada nova pesquisa eleitoral.


Isso não significa ignorar riscos políticos ou econômicos. Significa diferenciar gestão de risco de especulação eleitoral.


Diversificação, adequação dos investimentos ao perfil de risco, liquidez e horizonte de investimento continuam sendo princípios importantes — independentemente de quem esteja à frente nas pesquisas.


Para as empresas: trabalhe com cenários, não com previsões


O mesmo raciocínio vale para quem administra um negócio. Talvez ninguém consiga afirmar com segurança qual será o ambiente econômico brasileiro em 2027. Mas é possível preparar a empresa para diferentes possibilidades.


Imagine três cenários:


Cenário 1 — continuidade: poucas mudanças relevantes na política econômica e no ambiente regulatório.


Cenário 2 — mudança moderada: alterações em algumas políticas, tributos, investimentos ou prioridades governamentais.


Cenário 3 — mudança mais profunda: alterações relevantes na condução econômica, no ambiente regulatório ou nas prioridades de gastos e investimentos.


Agora leve esses cenários para o planejamento financeiro:


  • O que aconteceria com o caixa se os juros permanecessem elevados por mais tempo?

  • E se o crédito ficasse mais barato?

  • Como uma mudança tributária afetaria sua margem?

  • Uma oscilação importante do dólar aumentaria seus custos?

  • Sua empresa conseguiria manter investimentos diante de uma desaceleração da economia?

  • E estaria preparada para aproveitar oportunidades caso o crescimento surpreendesse positivamente?


Planejar não significa acertar o futuro. Significa estar mais preparado para diferentes futuros possíveis.

Informação também faz parte da educação financeira


Nos próximos meses, ouviremos muitas promessas. Algumas serão detalhadas; outras, genéricas. Algumas terão números e fontes de financiamento; outras talvez não. O papel do eleitor é comparar.


E, para quem administra uma empresa, investe ou cuida das próprias finanças, vale acrescentar uma lente adicional a essa comparação: a sustentabilidade econômica das propostas.


Procure fontes oficiais, leia os programas, compare informações, consulte veículos com linhas editoriais diferentes, desconfie de conteúdos que provocam indignação ou euforia sem apresentar contexto, dados ou fontes.


Esse cuidado se tornou ainda mais importante em uma eleição na qual o próprio TSE estabeleceu regras específicas relacionadas à desinformação e ao uso de inteligência artificial na propaganda eleitoral.


Não precisamos concordar sobre qual é o melhor projeto para o Brasil. Mas podemos concordar que decisões importantes merecem informação de qualidade.


A democracia nos dá o direito de escolher. A educação financeira nos ajuda a compreender as consequências econômicas das escolhas.

Nas Eleições 2026, portanto, talvez uma das perguntas mais importantes não seja apenas: “O que este candidato promete?”


Mas também: “Como pretende fazer, quanto isso custa e quem vai pagar a conta?”


Para quem administra uma empresa, investe ou simplesmente tenta cuidar melhor do próprio dinheiro, acompanhar a eleição com informação verdadeira também é uma forma de planejamento financeiro.



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