• Paiva Piovesan

Você sabe o que é um ETF?


Você deve até ter pensado em um ET, mas na verdade a criatividade do mercado vai longe para criar novas formas de investimentos, como os ETFs, que na verdade é a sigla em inglês para "Exchange Traded Funds".


Portanto os ETFs nada mais são do que fundos de investimento com cotas negociadas na Bolsa de Valores. Eles também são chamados de “fundos de índice”, um apelido que explica a funcionalidade desse tipo de investimento. Eles misturam características de fundos com ações.

E mais, você vai entender ainda que os ETFs podem ser investimentos em renda fixa ou variável!

Assim, quando falamos de índice estamos nos referindo a um conjunto de ativos que representam uma categoria.

Então, por exemplo, você já deve ter ouvido falar nos noticiários sobre o Ibovespa (IBOV), um dos índices mais famosos do mercado brasileiro. Ele é como se fosse uma cesta imaginária que reúne as principais ações das empresas listadas na Bolsa.

Já pensou se tivesse um instrumento financeiro capaz de replicar o Ibovespa? O ETF é justamente o ativo que consegue fazer isso.

Ou seja, se você aplicar o seu dinheiro em um ETF que replica o Ibovespa, como por exemplo o BOVA11, ou o BOVV11, a rentabilidade será a variação do índice. Outros índices são, por exemplo, o S&P 500 (índice da bolsa americana) e o IFIX que é o índice de Fundo Imobiliário da B3.

No Brasil, existem 32 ETFs listados na bolsa de valores (1), que representam um patrimônio líquido de aproximadamente R$ 39 bilhões.

A indústria de ETF norte-americana, onde eles surgiram, possui nada menos que US$ 6 trilhões em patrimônio em mais de 2.800 ETFs listados. O que nos mostra que o Brasil está apenas começando com estes tipos de fundos.

Segundo a ANBIMA, o mercado brasileiro de Fundos de Investimentos atingiu a marca de R$ 6,0 trilhões em 2020 (2). O mercado de ETFs no Brasil representa apenas 0,65% da indústria de fundos. Nos Estados Unidos a proporção chega a 17,6%, o que confirma este enorme potencial de crescimento para a indústria de ETFs brasileira nos próximos anos.

Conheça os principais tipos de ETFs negociados na Bolsa

Há uma variedade de ETFs que replicam diversos índices. É importante conhecer alguns deles, pois cada um pode se adequar melhor ao que você como investidor procura. Na B3, a bolsa do Brasil, eles estão classificados em Renda Variável e Renda Fixa.

Ouro

Já pensou em investir em ouro? Os ETFs permitem que você faça este tipo de investimento ao escolher o ETF GOLD11 que busca replicar a performance do preço do ouro, em dólar, através do índice americano "iShares Gold Trust", gerido pela empresa BlackRock.



Devido à sua escassez, o ouro sempre foi um verdadeiro ativo de reserva de valor. Em momentos de incerteza, muitos investidores correm para o ouro na busca por proteção. Para se ter uma ideia, este indicador subiu 23,57% em 2020, ano em que passamos por uma das piores crises de todos os tempos. (vide gráfico abaixo)



Ibovespa

Na B3 podemos encontrar alguns ETFs que replicam o índice Bovespa, conhecido como Ibovespa. Com esse ativo, o investidor tem a chance de acompanhar o desempenho da carteira teórica formada pelas ações com maior volume de negociação da B3.


A seguir, os principais ETFs que replicam o Ibovespa, mudando apenas o gestor:

  1. BOVA11: gerido pela BlackRock

  2. BOVV11: gerido pelo Itaú

  3. BOVB11: gerido pelo Bradesco


Como você pode observar, os ETFs ganham um código parecido com o das ações que são utilizados para a sua negociação na Bolsa.


Índices de Renda Fixa

Os ETFs também contemplam o mercado de renda fixa. É uma estratégia mais recente dos gestores para atrair cada vez mais o público conservador. Na Bolsa brasileira, é possível encontrar sete ETFs de Renda Fixa (1). Abaixo, alguns exemplos de ETFs geridos pelo Itaú:


  1. IMAB11: Esse ETF é uma seleção de títulos variados do Tesouro IPCA+, acompanhando o IMA-B, índice da Anbima que faz a média de desempenho desse tipo específico de título público.

  2. IB5M11: Esse ETF acompanha o IMA-B5+, específico para os vencimentos mais longos do IPCA+, isto é, de cinco anos ou mais.

  3. IRFM11: Esse ETF também é destinado ao Tesouro Direto, porém acompanha os títulos prefixados. O índice correspondente é o IRF-M P2, calculado pela Anbima, composto por títulos do Tesouro prefixados, partindo de 3 anos ou mais de vencimento.

Índice de Small Caps


Também temos ETFs específicos para quem quer seguir o rendimento do índice Small Cap (SMLL B3), que mede o desempenho das ações com baixo volume de negócio na Bolsa de Valores brasileira, são eles:


  1. SMALL11: busca refletir o desempenho do índice de Small Caps (SMLL) da bolsa pela gestora BlackRock.

  2. SMAC11: busca refletir o desempenho do índice de Small Caps (SMLL) da bolsa, gerida pelo Itaú.



Porque investir em índices como este, você deve estar se perguntando? O Ibovespa em 2019 teve uma rentabilidade de 31,58%. No mesmo período, o SMLL valorizou 58,20%. Lembre sempre que rentabilidade passada não é garantia de rentabilidade futura.

Índices S&P 500 (Bolsa dos EUA)

Caso você queira investir em índices renomados medidos pela Standard & Poor’s, também há dois ETFs disponíveis na B3:


  1. IVVB11: Esse ETF, gerido pela BlackRock, tem como referência o índice S&P 500, formado pelas 500 maiores ações dos Estados Unidos. É uma boa opção para quem quer se expor a ativos internacionais.

  2. SPXI11: Esse ETF, da gestora do Itaú, também busca replicar o desempenho do índice internacional S&P 500.

Quais outros ETFs podemos investir?

Além daqueles que destacamos acima temos ainda:

RENDA VARIÁVEL

  1. BRAX11: busca refletir o desempenho do índice do IBrX-100 da bolsa.

  2. DIVO11: busca refletir o desempenho do índice de dividendos (IDIV) da bolsa.

  3. ECOO11: busca refletir o desempenho do índice de carbono eficiente (ICO2) da bolsa.

  4. FIND11: busca refletir o desempenho do índice financeiro (IFNC) da bolsa.

  5. GOVE11: busca refletir o desempenho do índice de governança corporativa (IGCT) da bolsa.

  6. ISUS11: busca refletir o desempenho do índice de sustentabilidade empresarial (ISE) da bolsa.

  7. MATB11: busca refletir o desempenho do índice de materiais básicos (IMAT) da bolsa.

  8. PIBB11: busca refletir o desempenho do índice IBr-X 50 da bolsa.

  9. XBOV11: busca obter de forma geral, retornos de investimentos que correspondam à performance do Ibovespa.

  10. BBSD11: utiliza como referência o índice S&P Dividendos Brasil. Este índice, por sua vez, representa a performance das maiores pagadoras de dividendos da bolsa brasileira.

RENDA FIXA

  1. FIXA11: é um ETF de renda fixa que replica o S&P/B3 Índice de Futuros de Taxas de Juros, acompanhando o retorno de uma carteira teórica composta por contratos futuros de DI com vencimento de três anos (juros prefixados).

A relação completa de ETFs listados na B3 você encontra no final deste artigo nos links úteis (1).

Quais as vantagens dos ETFs?

Um ETF tem algumas características dos fundos de investimentos e outras dos ativos negociados na bolsa de valores (ações). Ele proporciona algumas vantagens em relação a outras opções do mercado, que você pode conferir abaixo:

Simplicidade na negociação

Comprar e vender ETFs é tão simples quanto negociar uma ação individual na bolsa de valores. Paga-se uma taxa de corretagem em cada operação e acompanham-se as cotações por meio dos dados divulgados diariamente pela B3. O desempenho do ETF reflete a média da performance de todas as ações ou outros papéis incluídos nele, o que é uma mão na roda para quem não dispõe de muito tempo para montar e monitorar uma carteira de ações.

Diversificação dos investimentos

Um ETF oferece aos investidores a possibilidade de aplicar em muitos ativos de uma vez só, comprando apenas as cotas do fundo. Desta forma, o risco da carteira pode ser diluído mesmo que o recurso disponível para o investimento seja pequeno. É muito mais difícil e caro montar um portfólio diversificado e equilibrado ação por ação, do que fazer isso por meio das cotas de apenas um ETF.

Facilidade de balanceamento

Os índices de referência do mercado costumam ter a sua composição atualizada periodicamente. Quem quer manter uma carteira aderente a esses indicadores, precisa ajustar a participação de cada carteira conforme essas atualizações são realizadas. Já quem investe em ETFs não precisa se preocupar com isso. Os gestores fazem os ajustes necessários na carteira sempre que a composição dos índices de referência dos fundos é alterada. Os cotistas não precisam fazer nada para que isso aconteça.

Custo

A taxa de administração dos ETFs é bem menor que a de fundos de investimentos tradicionais. No caso dos fundos de índices negociados no pregão da B3, em maio de 2020, as taxas variam entre 0,05% a 0,69% ao ano. Isso é possível porque os ETFs têm uma política de investimento passiva, diretamente atrelada à composição de um indicador de mercado subjacente, o que reduz os custos operacionais relacionados à gestão.

Usos variados

Como os ETFs são valores mobiliários listados na bolsa de valores, eles podem ser usados pelos investidores como margem para realizar outras operações no pregão. Esse é o tipo de possibilidade que não existe com os fundos tradicionais.

A versatilidade dos ETFs permite que eles sejam usados também em operações de aluguel. Com os aluguéis (ou empréstimos, como também são chamados), investidores que compram os fundos de índices com o objetivo de mantê-los na carteira no longo prazo podem obter uma renda extra. Eles podem oferecer as suas cotas emprestadas a outros investidores, em troca de uma taxa de remuneração, para que eles realizem certos tipos de negociações no mercado.

Quem toma ETFs emprestados pode utilizá-los para realizar uma venda no mercado à vista ou até como margem de garantia para operações no mercado futuro, entre outras possibilidades.


Quais os riscos, as desvantagens e a tributação do investimento em ETF?

ETFs de renda variável estão sujeitos aos mesmos riscos das operações com ações. É preciso lembrar que um ETF de renda variável espelha um índice da bolsa e, dessa forma, está sujeito aos riscos inerentes ao segmento e setor que busca refletir.

No caso dos ETFs de renda fixa, o risco está relacionado à variação de preço dos títulos de renda fixa que compõem o índice de referência.

Além disso, pode haver descolamento entre a rentabilidade do índice e do fundo, ou seja, o desempenho do fundo pode não refletir integralmente a rentabilidade do índice que ele acompanha, ou risco de liquidez das cotas do fundo ou dos ativos que compõem a carteira do fundo, por exemplo, além dos riscos aos quais os ativos que compõem o fundo estão naturalmente sujeitos, como riscos de mercado e sistêmico.

Liquidação

A liquidação financeira da compra e venda de ETFs de renda variável é feita em dois dias úteis (D+2), ou seja, após a compra (ou venda) dos ativos, os recursos somente serão debitados (ou creditados) dois dias úteis após a operação.

Já para os ETFs de renda fixa, a liquidação financeira de sua compra e venda ocorrerá no dia útil seguinte (D+1) ao do fechamento da operação.

Tributação

A tributação de ETFs de renda variável é diferente da que ocorre para os ETFs de renda fixa.

Renda variável

No momento da venda das cotas de ETFs de renda variável, incide imposto de renda à alíquota de 15% sobre o ganho de capital auferido do investidor (diferença positiva entre o valor da venda e o custo de aquisição das cotas). No caso dos ETFs de renda variável, é de responsabilidade do próprio investidor o recolhimento do imposto de renda.

Diferente do mercado de ações, para ETF não se aplica a isenção do imposto de renda para vendas abaixo de R$ 20 mil no mês.

Assim como na venda de ações, na venda de cotas de ETF de renda variável em bolsa de valores, haverá também a retenção de imposto de renda na fonte, à alíquota de 0,005%.

Renda fixa

Os rendimentos ou ganhos de capital auferidos pelo investidor em ETFs de renda fixa estão sujeitos ao Imposto de Renda que é cobrado no momento do resgate da aplicação, pagamento de rendimentos ou alienação do ativo no mercado secundário e direto na fonte, ou seja, você não precisa se preocupar em realizar o recolhimento posteriormente.

A alíquota de IR pode variar entre 15%, 20% ou 25%, já que os ETFs de renda fixa possuem tributação conforme o prazo médio de repactuação ("duration") dos títulos que os compõem. Quanto maior a "duration", menor será a alíquota de IR. Confira abaixo:








Confira abaixo a alíquota referente a alguns dos ETFs de Renda Fixa listados na B3 atualmente:









Custos

Os custos são os mesmos de uma operação com ações, ou seja, de corretagem e emolumentos, antes de operar consulte sempre sua corretora, muitas já oferecem taxa de corretagem zero. Além disso, cada ETF cobra uma taxa de administração do fundo. Essa taxa é cobrada diretamente das cotas dos fundos, não havendo débito deste valor na compra do ETF.

Qual é a diferença entre um ETF e um fundo de investimento?

Uma diferença importante entre os ETFs e os fundos de investimento tradicionais está na gestão. Embora existam fundos tradicionais com gestão passiva, muitos deles têm gestão ativa. Significa que os seus gestores estão sempre procurando as melhores oportunidades de aplicação para obter retorno acima do seu índice de referência, seguindo a política de investimento estabelecida pelo seu regulamento.

Já um ETF sempre tem gestão passiva – ou seja, os gestores sempre se preocupam apenas em replicar a composição e o desempenho de um índice de referência. Farão isso mesmo que, em algum momento, acreditem que outros papéis (que não os incluídos no índice) sejam opções com melhores perspectivas de retorno. Isso porque a finalidade de um ETF é justamente oferecer aos investidores uma forma de acompanhar o retorno dos indicadores, seja ele positivo ou negativo.

Também é diferente a maneira de realizar o investimento em si. Os fundos tradicionais são comprados diretamente das prateleiras de produtos disponíveis nas corretoras de valores e dos bancos. Já os ETFs são negociados no pregão da bolsa de valores. É de lá que precisam ser adquiridos, também com a intermediação de uma corretora.

Outra diferença é a maneira de acompanhar o desempenho. As informações sobre a rentabilidade dos fundos tradicionais precisam ser fornecidas pelos seus administradores a entidades como a Anbima (Associação das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais) e a CVM (Comissão de Valores Mobiliários). É lá que os investidores podem consultar esses dados, com alguns poucos dias de intervalo. Já no caso dos ETFs, o acompanhamento do valor das cotas pode ser feito em tempo real, apenas seguindo as cotações divulgadas ao longo do dia pela B3.


Como investir em um ETF na prática?

Vamos utilizar o app de Home Broker do Banco Inter para simular a aquisição de 10 cotas do ETF DIVO11 que tem como gestor o Banco Itaú e que visa simular o índice IDIV da B3.

O IDIV B3

O IDIV é o resultado de uma carteira teórica de ativos que tem como objetivo ser o indicador do desempenho médio das cotações dos ativos que se destacaram em termos de remuneração dos investidores, sob a forma de dividendos e juros sobre o capital próprio.

Na figura abaixo temos o desempenho deste ETF nos últimos 5 anos.



Ao selecionar o Home Broker vamos inicialmente abrir o código de negociação para ver o seu último desempenho e consultar o livro de ofertas. Na sequência vamos fazer uma ordem de compra informando quantas cotas desejamos comprar e por qual valor. Neste exemplo fizemos a oferta de adquirir 10 cotas a R$ 67,00 cada.



A nossa oferta de compra pode ou não ser aceita no mercado. Neste exemplo ofertamos um valor 3,10% inferior à última cotação. Pode ser que esta oferta não seja concretizada ou que sim, pois o valor mínimo que o ETF foi negociado este mês chegou a ser de R$ 65,98. E isto você acompanha através do sistema de acompanhamento de ordens reproduzido na tela abaixo. Caso a sua ordem seja concretizada a corretora irá emitir uma nota de corretagem onde serão incluídas todas as taxas envolvidas na operação, conforme exemplo na tela abaixo.


Esperamos que com estas informações você já possa iniciar os seus investimentos em ETFs de forma tranquila sem imaginar que seja uma coisa de outro mundo ou de ET's!

Links úteis:


  1. B3: Lista de ETFs


Renda Fixa: http://www.b3.com.br/pt_br/produtos-e-servicos/negociacao/renda-variavel/etf/renda-fixa/etfs-listados/


Renda Variável:

http://www.b3.com.br/pt_br/produtos-e-servicos/negociacao/renda-variavel/etf/renda-variavel/etfs-listados/



  1. Anbima: https://www.anbima.com.br/pt_br/imprensa/industria-de-fundos-alcanca-r-6-trilhoes-de-patrimonio-liquido.htm#:~:text=01%2F2021%20%2D%2018h19-,Ind%C3%BAstria%20de%20fundos%20alcan%C3%A7a%20R%24%206%20trilh%C3%B5es%20de%20patrim%C3%B4nio%20l%C3%ADquido,Mercado%20Financeiro%20e%20de%20Capitais).


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